Quanto tem de Silício na Água Mineral? Entenda os Valores do Rótulo
O silício na água mineral é um componente natural que pode passar despercebido por muita gente. Afinal, quando olhamos para o rótulo de uma garrafa, é mais comum prestarmos atenção ao sódio, cálcio, magnésio e bicarbonato.
O problema é que procurar simplesmente pela palavra “silício” pode não funcionar. Dependendo da forma como a composição química é apresentada, você poderá encontrar referências a sílica, SiO₂, ácido silícico ou outras formas relacionadas ao silício.
Então, como saber quanto silício existe realmente naquela água?
Neste artigo, você vai aprender a interpretar esses valores e entender por que duas águas minerais podem apresentar composições tão diferentes.
O que é o silício na água mineral?
O silício é um elemento extremamente abundante na crosta terrestre. Quando a água da chuva penetra no solo e atravessa diferentes camadas de rochas, ocorre uma interação natural entre a água e os minerais presentes no terreno.
Durante esse percurso subterrâneo, determinados componentes minerais podem passar para a água.
É justamente por isso que a composição de uma água mineral depende bastante da geologia da região onde está localizada a fonte.
No ambiente aquoso, uma das formas solúveis mais importantes é o ácido ortossilícico, também representado como Si(OH)₄ ou H₄SiO₄. Estudos científicos descrevem essa forma como uma das principais formas biodisponíveis de silício.
Quanto silício na água mineral pode ser encontrado?
Não existe um único valor que possa ser aplicado a todas as águas.
A quantidade de silício na água mineral varia conforme fatores como:
- composição geológica do local;
- tipos de rochas atravessadas pela água;
- tempo de contato da água com essas formações;
- características químicas da fonte;
- forma utilizada pelo laboratório para expressar o resultado.
A quantidade de silício na água mineral pode variar bastante de uma fonte para outra. Uma revisão científica relata que águas minerais europeias analisadas apresentaram concentrações de aproximadamente 4 a 16 mg de silício por litro, embora existam águas naturais com valores diferentes. Essa variação está relacionada principalmente às características geológicas da região e ao percurso subterrâneo realizado pela água. Por isso, esses números devem ser vistos apenas como referência, e não como uma faixa padrão para todas as águas minerais.
Por isso, se você quiser saber quanto existe em determinada água, o melhor caminho é consultar a composição química específica daquela fonte.
Como identificar o silício na água mineral pelo rótulo?
Aqui está uma das partes mais importantes.
Nem sempre você encontrará escrito:
“Silício: X mg/L”
O rótulo ou a análise química poderá apresentar uma substância relacionada, especialmente a sílica (SiO₂).
E existe uma diferença importante.
Silício, cujo símbolo químico é Si, é um elemento químico.
Sílica, representada por SiO₂, é o dióxido de silício.
Portanto, 10 mg/L de SiO₂ não significam 10 mg/L de silício elementar.
Como converter sílica em silício?
Quando o resultado é expresso em SiO₂, podemos fazer uma conversão aproximada baseada nas massas molares.
O silício representa cerca de 46,7% da massa do SiO₂.
Assim:
Silício (mg/L) ≈ SiO₂ (mg/L) × 0,467
Imagine que uma análise apresente:
Sílica (SiO₂): 20 mg/L
A quantidade correspondente de silício será aproximadamente:
20 × 0,467 = 9,34 mg/L de silício
Outro exemplo:
Sílica (SiO₂): 10 mg/L
corresponde aproximadamente a:
4,67 mg/L de silício
Essa conversão é importante para comparar águas cujas análises utilizam formas diferentes de apresentar o resultado.
mg/L é a mesma coisa que ppm?
Em soluções aquosas bastante diluídas, como acontece normalmente nas análises de água, 1 mg/L é aproximadamente equivalente a 1 ppm.
Assim, quando você encontrar:
5 mg/L
isso representa aproximadamente:
5 partes por milhão (ppm).
Mesmo assim, antes de comparar duas águas, observe se os valores se referem à mesma substância.
Comparar 10 mg/L de Si diretamente com 10 mg/L de SiO₂, por exemplo, levaria a uma conclusão errada.
Por que algumas águas têm mais silício do que outras?
A resposta está principalmente debaixo da terra.
A água mineral não recebe necessariamente todos os seus minerais da mesma maneira. Durante sua circulação subterrânea, ela entra em contato com diferentes formações geológicas.
Algumas podem favorecer uma concentração maior de determinados componentes minerais.
Por isso, duas fontes relativamente próximas podem apresentar perfis químicos diferentes.
Essa característica ajuda a explicar por que encontramos águas mais ricas em cálcio, outras em bicarbonatos, outras com maior concentração de magnésio e também diferenças na quantidade de silício na água mineral.
Por esse motivo, a concentração de silício na água mineral também pode funcionar como uma característica da composição daquela fonte, refletindo parte da interação da água com as formações geológicas encontradas durante seu percurso subterrâneo.
Mais silício significa que a água é melhor?
Não necessariamente.
A concentração de um único elemento não deve ser utilizada isoladamente para determinar se uma água mineral é “melhor” do que outra.
A qualidade e as características de uma água envolvem sua composição completa e sua segurança microbiológica e química.
Além disso, não existe atualmente uma recomendação nutricional universal estabelecendo uma concentração ideal de silício que uma água deva possuir.
As diretrizes da Organização Mundial da Saúde para água potável são voltadas à proteção da saúde e à gestão dos riscos associados à qualidade da água.
Portanto, uma concentração maior de silício pode ser uma característica mineral interessante daquela fonte, mas não deve ser transformada automaticamente em uma classificação de qualidade.
O organismo consegue absorver o silício presente na água?
Esse é justamente um dos aspectos que tornam o assunto interessante.
A forma química influencia bastante a biodisponibilidade do silício.
Pesquisas indicam que o ácido ortossilícico presente em líquidos é uma forma solúvel e relativamente bem absorvida pelo organismo. Uma revisão sobre silício e saúde óssea relata que o ácido ortossilícico presente na água é prontamente absorvido e posteriormente eliminado pelo organismo.
Uma revisão científica mais recente também identifica o ácido ortossilícico como uma das principais formas biodisponíveis do elemento.
Isso não significa, porém, que consumir uma água com determinada concentração produza automaticamente um benefício específico à saúde. Os possíveis efeitos biológicos do silício continuam sendo objeto de pesquisa científica.
Quer entender melhor o que acontece depois que o silício entra no organismo? No nosso Guia Completo sobre Silício no Corpo Humano, explicamos como ele é absorvido, onde pode ser encontrado no corpo e o que as pesquisas científicas já descobriram sobre sua possível importância para a saúde.
Como comparar o silício na água mineral de duas fontes?
Imagine estas duas análises:
Água A: 12 mg/L de SiO₂
Água B: 8 mg/L de Si
À primeira vista, alguém poderia concluir que a Água A contém mais silício porque 12 é maior do que 8.
Mas não é assim.
Convertendo a Água A:
12 × 0,467 = aproximadamente 5,6 mg/L de Si
Portanto:
Água A = aproximadamente 5,6 mg/L de silício
Água B = 8 mg/L de silício
Nesse exemplo, a Água B apresenta maior concentração de silício, apesar de o número mostrado inicialmente para a Água A ser maior.
É por isso que entender a unidade e a substância apresentada é tão importante quanto simplesmente olhar para o número.
O que procurar no rótulo?
Ao analisar uma água mineral, procure primeiro pela tabela ou descrição de sua composição química.
Quem procura especificamente pelo silício na água mineral deve prestar atenção tanto ao nome da substância quanto à unidade utilizada na composição química.
Veja se aparecem termos como:
- silício;
- Si;
- sílica;
- SiO₂;
- ácido silícico;
- ácido ortossilícico.
Depois, confira a unidade utilizada, normalmente mg/L.
Se encontrar SiO₂, lembre-se de que esse valor não representa diretamente a quantidade de silício elementar.
Para uma comparação mais precisa entre diferentes águas, todas devem ser convertidas para a mesma forma.
O silício é o único mineral importante?
Não.
O perfil de uma água mineral pode incluir diversos elementos e compostos, como cálcio, magnésio, sódio, potássio, bicarbonato, sulfato e outros componentes.
O silício na água mineral é apenas uma parte dessa composição.
Na prática, o mais interessante é observar o perfil mineral como um todo.
Cada fonte funciona quase como uma “assinatura geológica”, resultado do percurso realizado pela água antes de chegar ao ponto de captação.
Silício, sílica e ácido ortossilícico são a mesma coisa?
Não exatamente.
Silício (Si) é o elemento químico.
Sílica (SiO₂) é um composto formado por silício e oxigênio.
Ácido ortossilícico [Si(OH)₄] é uma forma solúvel de silício encontrada em sistemas aquosos e considerada particularmente relevante quando falamos de biodisponibilidade.
Essa diferença explica por que é preciso ter cuidado ao comparar números encontrados em rótulos, análises laboratoriais e estudos científicos.
Afinal, quanto tem de silício na água mineral?
A resposta correta é: depende da fonte.
Não existe uma concentração única de silício na água mineral. O valor é determinado pelas características geológicas e químicas de cada origem.
Por isso, não basta pegar duas garrafas e comparar os números diretamente.
Primeiro descubra:
O valor está expresso como Si ou SiO₂?
Depois confira:
Qual é a unidade utilizada?
Só então faça a comparação.
Entender essas pequenas diferenças transforma aquela tabela cheia de números no verso da garrafa em algo muito mais interessante: um registro da própria história geológica daquela água.
E da próxima vez que pegar uma garrafa de água mineral, experimente olhar a composição antes de beber. Talvez você descubra muito mais sobre aquela água do que imaginava.
Referências bibliográficas
- JUGDAOHSINGH, R. Silicon and Bone Health. The Journal of Nutrition, Health & Aging, v. 11, n. 2, p. 99–110, 2007. O trabalho aborda as fontes alimentares de silício e relata que a concentração em águas minerais europeias analisadas ficava aproximadamente entre 4 e 16 mg/L de Si, além de explicar a presença do ácido ortossilícico na água. PubMed Central (PMC)
Acessar estudo completo - JURKIĆ, L. M. et al. Biological and therapeutic effects of ortho-silicic acid and some ortho-silicic acid-releasing compounds: New perspectives for therapy. Nutrition & Metabolism, v. 10, art. 2, 2013. Revisão sobre o ácido ortossilícico como uma das principais formas biodisponíveis de silício. PubMed Central (PMC)
Acessar estudo completo - RONDANELLI, M. et al. Silicon: A neglected micronutrient essential for bone health. Experimental Biology and Medicine, v. 246, n. 13, p. 1500–1511, 2021. DOI: 10.1177/1535370221997072. A revisão discute ingestão, biodisponibilidade e possíveis funções biológicas do silício, destacando o ácido ortossilícico presente em líquidos como água mineral. PubMed Central (PMC)
Ver no PubMed - PRITCHARD, A.; NIELSEN, B. D. Silicon Supplementation for Bone Health: An Umbrella Review Attempting to Translate from Animals to Humans. Nutrients, v. 16, n. 3, art. 339, 2024. DOI: 10.3390/nu16030339. Revisão recente que ajuda a contextualizar o estado atual das evidências sobre silício e saúde óssea. PubMed Central (PMC)
Ver no PubMed - WORLD HEALTH ORGANIZATION. Guidelines for drinking-water quality: fourth edition incorporating the first, second and third addenda. Geneva: World Health Organization, 2026. ISBN 978-92-4-012122-5. É a versão mais recente das diretrizes da OMS para qualidade e segurança da água potável. Organização Mundial da Saúde
Acessar as diretrizes da OMS


