Silício e Biodisponibilidade na Água Mineral: Análise Bioquímica Profunda
O silício é um mineral que vem chamando a atenção por seus efeitos benéficos para ossos, pele, cabelo e articulações. Muitas pessoas estão descobrindo que é possível obter silício através da água mineral. Mas será que esse silício é realmente absorvido pelo nosso corpo? Isso depende da biodisponibilidade, ou seja, da forma como o silício está presente na água e se ele é facilmente aproveitado pelo organismo. Neste artigo, vamos explicar isso de forma clara, com base na ciência.
O Que é Biodisponibilidade?
Biodisponibilidade é um termo usado para descrever quanto de um nutriente ingerido realmente é absorvido e utilizado pelo corpo. No caso do silício, ele precisa estar numa forma solúvel — especialmente na forma chamada ácido ortossilícico — para ser absorvido no intestino e fazer efeito nos ossos, na pele e em outros tecidos.
Como o Silício Está Presente na Água Mineral?
O silício na água mineral normalmente aparece na forma de ácido ortossilícico (OSA). Essa é a forma mais solúvel e absorvível do mineral. Outras formas, como aquelas encontradas em alguns alimentos ou suplementos, nem sempre são tão bem absorvidas.
Por exemplo:
- Alimentos como cereais, vegetais e frutas contêm silício em formas mais complexas, o que dificulta sua absorção.
- Já suplementos variam muito: alguns têm boa biodisponibilidade, outros nem tanto.
- A água mineral com OSA é considerada uma das fontes mais eficientes de silício biodisponível.
O Que Mostram os Estudos Científicos?
Um estudo importante foi feito com mulheres após a menopausa, que consumiram 1 litro por dia de água rica em silício (86 mg/L) durante 12 semanas. Os resultados mostraram um aumento significativo da eliminação de silício pela urina. Isso indica que o mineral foi realmente absorvido pelo organismo (Li et al., 2010).
Outro estudo mostrou que a taxa de absorção do silício na água mineral pode chegar a 50% ou mais. Em comparação, alguns alimentos oferecem uma absorção de apenas 2 a 4%.
O Que o Silício Faz no Nosso Corpo?
O silício tem várias funções importantes:
- Ajuda na produção de colágeno: Isso melhora a elasticidade da pele e fortalece os tecidos conjuntivos.
- Fortalece os ossos e cartilagens: Ele participa da formação da matriz óssea e pode prevenir doenças como a osteoporose.
- Tem ação antioxidante: O silício ajuda a combater os radicais livres, protegendo células do corpo e contribuindo para a saúde geral.
Qual Água Mineral É Melhor?
Nem toda água mineral tem silício em formas facilmente absorvíveis. Isso depende de fatores geológicos, como o tipo de rocha de onde a água vem. Fontes vulcânicas e graníticas costumam ter silício mais solúvel.
Alguns exemplos de águas minerais com bom teor de silício:
- Lindoya Joia (Brasil) – Aproximadamente 17 mg/L de sílica solúvel.
- Águas portuguesas de aquíferos graníticos – Podem ter entre 30 e 60 mg/L.
Dica: ao ler o rótulo, procure pelas palavras “sílica solúvel”, “ácido ortossilícico” ou pela sigla “OSA”. Quantidades acima de 20 mg/L já são consideradas boas.
Como Consumir Silício Pela Água Mineral
- A recomendação média é de 10 a 40 mg por dia.
- Tomar 500 ml a 1 litro por dia de uma água rica em silício já é suficiente.
- Prefira consumir essa água ao longo do dia ou em jejum para melhorar a absorção.
A forma como o silício está presente na água mineral influencia diretamente na sua absorção pelo corpo. Quando ele está na forma solúvel — o ácido ortossilícico —, é facilmente aproveitado e traz diversos benefícios para a saúde dos ossos, da pele e das articulações.
Portanto, escolher bem a água que você consome pode ser um passo simples, natural e eficaz para melhorar sua nutrição mineral. Se quiser investir na sua saúde de dentro para fora, uma boa água mineral rica em silício biodisponível é um ótimo começo.
Referências Bibliográficas
- Li, Z., Karp, H., Zerlin, A., Heber, D., Wang, H. J., Thames, G., … & Liu, Y. (2010). Absorption of silicon from artesian aquifer water and its impact on bone health in postmenopausal women: a 12-week pilot study. Nutrition Journal, 9(1), 44.
- Jugdaohsingh, R., Reffitt, D. M., Thompson, R. P., & Powell, J. J. (2009). The comparative absorption of silicon from different foods and food supplements. British Journal of Nutrition, 102(6), 825–834.
- Sadowska, A., & Świderski, F. (2020). Sources, Bioavailability, and Safety of Silicon Derived from Foods and Other Sources Added for Nutritional Purposes in Food Supplements and Functional Foods. Applied Sciences, 10(18), 6255.
- Nielsen, F. H. (2013). Silicon: A Review of Its Potential Role in the Prevention and Treatment of Degenerative Bone Changes. Journal of Trace Elements in Medicine and Biology.
- Sripanyakorn, S., Jugdaohsingh, R., Dissayabutr, W., Thompson, R. P., & Powell, J. J. (2009). Monomeric silicates were readily absorbed, while particulate silicates were decreasingly well absorbed with increasing polymerisation. British Journal of Nutrition, 102(6), 825–834.


